Jessica Phillip Giusti
*12.07.1989     +18.10.2010

Jéssica, de 21 anos, no dia 18 de outubro de 2010, voltava de Piracicaba onde tinha ido passar o fim de semana com a família e foi morta a pauladas, logo após ter descido do ônibus, na rodoviária de 3 Rios, cidade onde a jovem cursava Direito na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

 

Do Ocorrido

No dia 18 de outubro de 2010, após um feriado prolongado em Piracicaba, interior de São Paulo, onde morava a família, Jéssica foi encontrada morta em uma estrada de terra, próximo ao terminal rodoviário de Três Rios. 

A mãe dela, Simone Monteiro, conta que o crime aconteceu logo após o desembarque. O ônibus saiu da rodoviária do Tietê, em São Paulo, e chegou a Três Rios por volta das 5h30. Como se o tempo não houvesse passado, ela lembra com detalhes dos últimos momentos ao lado da filha.

— Sim, nós nos despedimos. A única coisa diferente que ela fez foi abraçar e beijar todo mundo, coisa que ela não fazia. Ela abraçava minha mãe [avó de Jéssica], entrava [no ônibus] e dava tchau. 

O pai, Angelo Giusti, diz que nem a passagem do tempo o ajudou a superar a dor.

— Não voltei a viver e não sei se voltarei a viver da forma como eu era antes. Porque aqui nós somos sobreviventes de uma guerra e da crueldade humana. 

Investigações

A chegada de Jessica à estação de Três Rios foi registrada por algumas câmeras de segurança. Segundo a família da vítima, as imagens gravadas de uma agência de viagens mostram a jovem descendo do ônibus e olhando para trás. A mãe acredita que esse gesto demonstra que a estudante poderia estar sendo perseguida. Outro vídeo, da viação Salutaris, gravado da garagem dos ônibus, revela um carro escuro passando pelo local. 

As investigações apontaram que a universitária naquele dia fez um trajeto diferente do habitual para chegar ao seu apartamento, como explica Simone.

— Ela ia pela avenida porque é um lugar mais iluminado, mais movimentado. Naquele dia, ela decidiu ir pela rua de trás que também dava acesso. Dava duas quadras de todo o jeito.

A jovem carregava uma bolsa e uma mala de rodinha e foi vista no caminho por um distribuidor de jornal. Angelo conta que o homem até pensou em ajudar.

— No começo da rua, tinha um distribuidor de jornal e o menino viu a hora que ela estava passando com a bolsa. Ele falou para o investigador que até pensou em ajudar. [Mas] pegou o jornal e entrou. Acho que ele ficou dois minutos dentro do estabelecimento e ela já tinha sumido. 

Segundo a família, R$ 100 e um smartphone de Jéssica foram levados. A bolsa foi encontrada por moradores de rua. A causa da morte foi traumatismo craniano, ocasionado por pelo menos uma pancada. Sinais de violência sexual não foram encontrados. 

— A delegada falou: ‘Seu Angelo, eu estive lá, ela lutou, ela brigou no lugar porque ela estava com o cós da calça cheio de terra’. Isso para mim não é sinal de luta, é sinal de que foi arrastada. Ela foi arrastada e entrou terra aí.

Sem culpados

As investigações, que começaram na delegacia de Três Rios, já passaram pelo DHPP de Niterói e pela 10ª Deac (Delegacia de Acervo Cartorário). Até a publicação desta reportagem, ninguém chegou a ser preso. O processo tramita em segredo de Justiça na 2ª Vara Criminal de Três Rios. Em razão desse sigilo, somente é permitido o acesso das partes envolvidas.

A família afirma que os assassinos conheciam Jéssica e eram da cidade. Eles não acreditam na hipótese de latrocínio, roubo seguido de morte. Segundo Angelo, a motivação poderia ter sido inveja.

— Além de ser privilegiada intelectualmente, ela tinha todas as condições. Então logo ela começou a se destacar. Os próprios alunos falavam, ela ficava brigando por causa de meio ponto, que ela não aceitava 9,5, tinha que ser 10.

O caso já teve capítulos bem sombrios. A família conta que um policial envolvido na investigação do crime foi transferido de Três Rio para outro município do Rio de Janeiro e o dono do Jornal de Três Rios acabou sendo assassinado após ter dito que daria “nome aos bois”, ou seja, denunciaria os responsáveis.

— Ele falou na rádio e comentou com a gente: ‘Tenha calma, depois de finados, eu vou dar nome aos bois’. Ele estava num churrasco, num domingão, chega um retardado não sei da onde e mete bala.

Angelo afirma que já não tem mais esperanças de ver os assassinos da filha pagarem pelo crime que cometeram e se apoia agora na “justiça divina”.

— Eu não acredito que eles [os culpados] serão presos, mas o que eu falaria para eles é o seguinte: ‘Quando eles começarem a sofrer e nada que eles fizerem conseguir reverter a situação, que eles procurem nesse momento tentar convencer Deus a não dar aquilo que já está guardado para eles’.

Já Simone gostaria de ver a justiça acontecer sob os seus olhos.

— Eu sou um pouco mais pé no chão. Acredito em Deus, mas eu prefiro que a justiça seja feita aqui para eu ver. Mas eu duvido que isso venha a acontecer. Nesse País, você faz as coisas e não é preso. O pessoal mata, a polícia prende, a Justiça solta.

Jéssica Philipp Giusti foi uma jovem que teve os sonhos interrompidos pela violência aos 21 anos de idade. Ela cursava o primeiro semestre de direito na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), no campus da cidade de Três Rios, distante 125 km da capital.

Ninguém até hoje foi responsabilizado pela autoria desse crime perverso, apesar dos fortes indícios e suspeitos apontados pelo pai da jovem, numa investigação paralela.

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