Carlos Gustavo Russo
*20.12.1977    +10.01.2005

Quem era o Gustavo? ( Relato de uma mãe que perdeu seu filho para a Violência Policial)

Carlos Gustavo Oliveira Maia Russo, 27 anos, casado com Lidiane, filho de Iranilde Mota Oliveira Russo e de Jeremias Monteiro Maia Russo, todos paraenses. Gustavo era o 2º filho do casal, e quem dava grande suporte na pequena empresa de eventos de sua família.

Meu filho, Gustavo, era um jovem muito trabalhador apaixonado por tecnologia, por desenhos de personagens das revistas em quadrinhos como: Homem Aranha, Super man, Batman, Dragon Ball Z. Aos 22anos, em 2000, conheceu Lidiane, com a qual veio a casar-se em 2002. Trabalhava como produtor de eventos, fazendo a instalação de telões, clipes, filmagens, e sua esposa trabalhava comigo na decoração dos eventos e nos buffês. 

No dia 10 de janeiro de 2005,  ele e sua esposa faziam 3 anos de casamento só que ela estava em Tucurui e ele, Gustavo, ficou em Belém, pois teria que receber um dinheiro de  trabalho que havia feito para um cliente que trabalhava numa emissora de televisão, e depois ir encontrar-se com ela para comemorarem o aniversário de casamento.  Às 15:30 desse mesmo dia, estávamos todos em casa, eu então saí prá ir ao Banco e Gustavo ficou sentado falando ao telefone, num dia de rotina como tantos outros. Logo em seguida ele também saiu foi até a emissora recebeu R$500,00 e retornou para casa. Por volta de 15:50h, antes de entrar na vila em que moro, ele parou  seu carro de trabalho, em frente a um pequeno comércio e pediu um refrigerante para lanchar com os seus ajudantes. Deu  ao atendente uma nota de R$50,00 para o pagamento e ficou esperando o troco; eis que nesse momento aparece um meliante todo fardado de PM, o aborda e o obriga a entrar no seu carro. Acredita-se que ele (Gustavo) acreditou tratar-se realmente de um policial, e o atendeu. Colocou o cinto de segurança, pois sempre foi muito cuidadoso em dirigir dentro das normas, e fez a ligação direta em seu carro Gol, pois o mesmo estava com problema na chave de ignição. Ao chegarem na primeira esquina, apareceram duas viaturas, com 4 PM’s cada uma,  a procura do tal PM, no local de onde eles haviam saído, ocasião que se soube tratar-se de um bandido que estava fugindo da polícia. Os moradores, perceberam logo que se tratava de um sequestro e avisaram os policiais, que o mesmo havia sequestrado um rapaz  conhecido da vizinhança, tendo estes feito pouco caso e começaram a metralhar o carro desesperadamente, cujo alvo era a cabeça do motorista e a cabeça do meliante. Detalhe: O meliante portava uma arma sem balas. Assim, em frações de segundos, uma vida de um jovem inocente e cidadão de bem  foram subtraídas, deixando uma família destruída pela dor e pelo luto eterno. 8 bestas feras, que são pagos com o nosso dinheiro para nos dar segurança tiram nossas vidas sem dó e sem piedade. Onde ficaram os treinamentos que receberam? Ou as nossas instituições estão contaminadas de bandidos fardados? Foram mais de 50 tiros no carro do meu filho Gustavo, uma verdadeira chacina. Passados aqueles momentos de extremo sofrimento,  como: velório, sepultamento, a não aceitação da perda de um filho que planejamos, que educamos preocupados em formar um bom caráter, que   criamos com planos para sua vida,  e o perdemos, dessa forma, teríamos, mesmo assim, de encontrar força e equilíbrio prá começar um novo calvário: A BUSCA POR JUSTIÇA. Muita decepção encontrei nessa busca, e posso garantir a todos que venham a ler este relato: Falando de Brasil,  Justiça mesmo, só a Divina e pra quem acredita num ser Supremo, como eu acredito. Oito  anos e sete meses se passaram......nenhum deles está preso, nem os cinco que foram condenados, ou seja,   3 foram presos  com penas de 2 anos e sete meses, 2 foram presos por um período de 8 meses, 3 foram absolvidos (aguardando recurso do MP por novo julgamento) desses, 1 foi assassinado por bandidos. Hoje luto com movimento de outros estados, tentando sensibilizar a sociedade e autoridades para o endurecimento maior das leis penais para os crimes contra a vida, para que o Brasil venha algum dia ser um país de justiça!

Iranilde Russo

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